Stefan Zweig: Adeus Europa. O Encanto da Cultura em Família

Arquivado em (Filmes) por Pablo González Blasco em 13-01-2018

Stefan Zweig: Farewell to Europe. Diretora: Maria Schrader. Josef Hader, Barbara Sukowa, Aenne Schwarz, Matthias Brandt, Charly Hübner. (2016). 106 min.

O nome do escritor austríaco acompanhou a minha infância e adolescência. Meu avô materno e um tio avô paterno sempre falavam de Stefan Zweig. Nas partidas de Dominó- jogavam muito bem, chateavam-se quando perdiam, e no final quem lucrou fomos as crianças que dominamos as contas das fichas- saia o nome de algumas das suas obras. Lembro de uma que o meu tio sempre comentava: La Piedad Peligrosa, era o nome em espanhol. Devia ser para prevenir-se nas partidas de domino e não dar moleza para as crianças, não ter dor delas, pois o tiro sai pela culatra. O mesmo que acontece ao protagonista do romance, que se engraça -sem chegar a amar- com uma moça deficiente, que acaba fazendo dele gato e sapato.

O título em português (acabo de pesquisar na internet) é Coração Impaciente, mas em inglês se aproxima mais do castelhano: Beware of Pity, quer dizer, cuidado com as falsas piedades. Com essas informações que hoje estão ao alcance de todos, consegui ligar os meus professores do Dominó, com Stefan Zweig e o porque da presença do escritor judeu entre as fichas alvinegras. E reparei -uma vez mais- que de nada adianta ter informações disponíveis, se não temos vivencias que as costurem. Quem não mama a cultura, as informações de internet apenas mascaram uma subnutrição crônica e inútil. Vale lembrar que eu sempre levei muito a sério os comentários do meu avô e do meu tio avô, homens que tinham atravessado a guerra civil espanhola, com perdas e até com passagens pela cadeia. Quer dizer, esses homens que pela dureza da vida, possuem uma especial sabedoria do que é realmente essencial, e o que é perfumaria. Dai que o nome do escritor ressoasse com cerimônia nos meus ouvidos.

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Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 09-01-2018

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José Lasaga Medina & Antonio López Vega: “Ortega y Marañón ante la crisis del liberalismo”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 02-01-2018

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José Lasaga Medina & Antonio López Vega: “Ortega y Marañón ante la crisis del liberalismo”. Ediciones Cinca. Madrid. 2017. 250 pgs. 

Uma viagem com rápida passagem por Madrid, e uma cerveja com um velho amigo, rendem-me este novo livro da sua autoria. As figuras de Ortega y Gasset y de Gregorio Marañon, que me são tão caras e de quem muito tenho aprendido, aparecem mais uma vez juntas: na capa do livro, em foto significativa, nos textos que deles se recolhem, e no pensamento liberal, objeto da presente obra.

O ensaio sobre Ortega, traz reflexões que já conhecia, mas que sempre se relem com gosto, como os trechos das Meditações do Quixote.  “Cada qual é filho das suas obras; considera, irmão Sancho que ninguém é mais do que outro até que não faça mais do que o outro. O verdadeiro individualismo não é ser diferente, mas fazer-se diferente. O indivíduo é poder criador de diferenças”.

O ser liberal que implica entender o outro, coisa que “irrita a qualquer espanhol: que o próximo existe e é preciso contar com ele (…) O liberalismo é a suprema generosidade: é o direito que a maioria outorga à minoria e, por tanto, o mais nobre grito que ressoou no planeta. Proclama a decisão de conviver com o inimigo, ainda mais, com o inimigo débil”.

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(Español) Leonardo Padura: La neblina del ayer

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 30-12-2017

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Um homem chamado Ove: a importância de um sorriso

Arquivado em (Filmes) por Pablo González Blasco em 25-12-2017

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En man som heter Ove. Suécia. 2015. Diretor: Hannes Holm. Rolf Lassgård, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll, Tobias Almborg, Klas Wiljergård, Chatarina Larsson. 116 min

Os filmes nórdicos são assim. Diretos, pontuais. Sem rodeios, sem enganchar-se em sentimentalismos latinos, sem entrelinhas. Tudo são linhas: claras, diretas ao ponto. Chegam frequentemente embrulhados numa produção sóbria, barata, sem grandes pretensões. A não ser, como digo, dar o recado. Este pequeno filme sueco é mais um exemplo. Um filme modesto, que resulta monumental no conteúdo sem guarnições. E a mensagem é a que consta no título: a importância de um sorriso.

Ove é um velho rabugento que não encontra motivo para continuar vivendo. É mais, quer desaparecer, mas as estratégias discretas para um suicídio sem barulho, não são fáceis. A buscada tragédia desemboca no cômico. Quer dizer, o drama se dilui no humor, como bem apontava Bergson naquele pequeno-grande ensaio sobre o riso que esvazia a tragédia com o quotidiano. Imaginem -dizia mais ou menos o filósofo francês- que Aquiles, o herói dos pés ligeiros, bocejasse ou se espreguiçasse antes do combate com Hector. Um desastre. O filho dos deuses aparece com toda a miséria limitante dos humanos.

Mas, que houve com o nosso Ove? Que aconteceu com este sujeito -nota-se logo que é um homem bom- para tornar-se antissocial, reclamar de Deus e o mundo, brigar com a própria sombra, enfim, apresentar-se como uma criatura insuportável? Por que há situações que conseguem espremer toneladas de azedume das pessoas que, por outro lado, são boa gente? Eis uma questão que contemplamos diariamente, na vida dos outros …. e na nossa própria. O que faz com que tiremos do fundo do poço nossa pior versão?

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Lamberto Maffei: Alabanza de la Lentitud

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 22-12-2017

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Lamberto Maffei: Alabanza de la Lentitud. Alianza editorial. Madrid (2016).128 pgs.

Um pesquisador italiano de neurociências, com vertente humanista, faz uma reflexão em voz alta sobre a lentidão. Isso é este livro: uma advertência de que as coisas realmente importantes e substâncias requerem um tempo que o mundo atual não parece disposto a conceder-lhes.

Sua reflexão inicia-se num museu em Florença onde observa pintadas no teto umas tartarugas com uma vela acoplada. E o lema clássico: Festina lente! (apressar-se com lentidão). Quer dizer, não atropelar as coisas, refletir, ponderar, e aí sim, decidir e ir atrás, sem hesitar. O ímpeto irreflexivo é tão nocivo como a decisão pela metade. Isto nada mais é do que as partes clássicas da virtude da prudência. Mas parece que o museu lhe inspira: “um museu de arte produz mais serotonina do que qualquer fármaco”.

A proposta de Maffei é clara: refletir sobre os mecanismos cerebrais que conduzem as reações rápidas e as lentas. E sua interação com uma civilização que prima pela rapidez. Adverte que a rapidez da evolução técnica -muito rápido, com um pulsar de botão- nada tem a ver com o ritmo fisiológico do organismo, e do cérebro. Uma sociedade que compete com a biologia está destinada a perder.  Discorre depois sobre um tema que domina: a neurofisiologia. O desenvolvimento do cérebro humano, a plasticidade que possui, que permite ir sendo moldado através de décadas. Enquanto que a maturidade do cérebro do rato precisa de apenas algumas semanas e o de outros mamíferos de vários meses, somente no homem a plasticidade que permite atingir a maturidade estende-se por anos.

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Francesco Salvarani. Edith Stein: Hija de Israel y de la Iglesia

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 14-12-2017

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Francesco Salvarani. Edith Stein: Hija de Israel y de la Iglesia. Palabra. (2012). 381 pgs.

Um livro que é, simultaneamente, uma biografia e um acompanhamento do pensamento filosófico e teológico de Edith Stein, escrito por um esperto, como fruto de 20 anos de investigação. Maneja uma ampla bibliografia que inclui os próprios escritos da filósofa, muitos outros sobre ela, e obras afins. Um belo trabalho muito bem alinhavado. Não me atrevo a dizer que seria uma biografia definitiva, porque isso sempre é uma pretensão. E, em tratando-se de personagem tão singular, com certeza uma incorreção, porque basta adentrar-se um pouco na sua vida, para saber que as surpresas continuarão a surgir. Haja visto aquele ensaio sobre a trajetória filosófica de Edith Stein, que já é uma avalanche de informações, dada a densidade do seu pensamento.

Edith nasce no dia 12 de Outubro que, naquele ano de 1891, coincidia com a festa da expiação no calendário judeu. A mãe dela, dona Augusta, sempre considerou essa festa como o verdadeiro aniversário de Edith, sua filha caçula. Perde o pai com menos de dois anos, e Augusta assume o comando do negócio. “O único centro de gravidade da família era agora esta mulher bíblica, com sua coragem e energia. A situação era dramática (com 7 filhos vivos, três outros já falecidos), mas não desesperada para alguém que sempre tinha confiado em Deus”.

Muitos dos dados biográficos são tirados das memórias que Edith escreve. De lá sabemos que com 6 anos diz quer sair do jardim da infância para entrar na escola de gente grande: esse era o presente de aniversário que pediu. E anota, “com 7 anos a razão predominou sobre o meu temperamento rebelde e convenci-me que minha mãe e minha irmã Frieda sabiam melhor do que eu aquilo que me convinha”. Gostava de escrever redações, pois conseguia exprimir o que sentia por dentro. “Não me preocupava entregá-las aos professores, mas não gostava que as lessem em casa, ou mostrassem para as visitas. Nos dias de festa, que não íamos à escola, minha maior alegria era poder ler um livro sem limite de tempo”. Era, desde criança, uma leitora voraz. Sem tirar o mérito, isso também explica como conseguiu devorar numa noite o Livro da Vida, de Teresa de Jesus, quando chegou a ocasião.

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(Español) José Jiménez Lozano. “Maestro Huidobro”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 07-12-2017

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Paterson: A poesia no quotidiano

Arquivado em (Filmes) por Pablo González Blasco em 01-12-2017

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Paterson. (2016). Diretor: Jim Jarmusch. Adam Driver, Golshifteh Farahani, Kara Hayward, Sterling Jerins, William Jackson Harper. 112 min.

Paterson - coverTinha lido a crítica no jornal e chamou-me a atenção o motorista poeta. Depois chegou um desafio desses que, como sem querer, te lançam no grupo de colegas da faculdade, por ter criado uma fama imerecida de crítico de cinema. Dizia mais ou menos assim: “Assisti a um filme minimalista do Jim Jarmusch “Paterson” que indico. Curiosamente, pelo site de cinema ImDb acessei uma crítica do filme em espanhol cujo resenhista se chama Pablo Blasco…embora sei que não é você”. Recolhi a luva, e a guardei para ver a melhor ocasião para o duelo. Pouco depois outro amigo me espetou: “Tenho o filme para você. Paterson. Veja e me diga o que lhe parece”. Não havia mais o que esperar, agora com duas luvas no bolso. O duelo -um modo de dizer- estava lançado, quase que em simultânea, como aquele primeiro onde D’Artagnan enfrenta os três mosqueteiros, chegam os guardas de Richelieu e acaba conquistando a confiança de Athos, Porthos e Aramis.

Sentei para ver o filme e respondi a estocada da segunda luva, de bate pronto. “Assisti Paterson. Impactante. Mas para público seleto. A poesia do quotidiano. A rotina que vira verso. Desprendimento e simplicidade contundente. E a força da vocação e da arte que nunca morre. Páginas em branco são sempre excelentes oportunidades”. Depois continuei pensando sobre o filme, e os pensamentos cristalizam nestas linhas, atrasadas, mas decantadas na serenidade rodeada da poesia que nos cuida e nos cura.

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Kazuo Ishiguro: “O Desconsolado”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 23-11-2017

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Kazuo Ishiguro: “O Desconsolado”. Ed Rocco. 1996. 489 pgs.

o-desconsolado-kazuo-ishiguroA notícia do prêmio Nobel concedida a Ishiguro foi o gatilho para aventurar-me nesta leitura. Habitualmente não tenho tropismo pela notícia literária de última hora -nunca pelos best-sellers, que não são garantia de qualidade em absoluto- a não ser que tenha me informado convenientemente. Lembrei de um livro (e o correspondente filme) deste autor, Não me abandones jamais, que li anos atrás, intrigante e questionador. Recordei também o filme superior de James Ivory, “Os Vestígios do Dia”, com a soberba atuação de Anthony Hopkins e Emma Thompson. Tropecei com uma crítica séria sobre a obra de Ishiguro recomendando a leitura completa da sua produção. E, finalmente, chegou no meu correio o comentário de um amigo e colega médico, esbanjando louvores ao Nobel. Um click na Estante virtual e tinha este livro nas minhas mãos um par de dias depois. Mergulhei na leitura com vontade…..e descobri que a piscina tinha pouca água porque senti o golpe.

Kazuo Ishiguro constrói muito bem a narrativa -deve ser melhor apreciado no idioma original, inglês, mas a tradução não deixa a desejar- cria expectativa, mas algo não funciona. Cadê o argumento? Na contracapa adverte tratar-se da visita de um músico famoso, Ryder, a uma cidade onde dará um concerto. E a seguir avisa que é um romance sobre a falta de comunicação entre pessoas que se amam, mas não se escutam. Não prestei atenção, como disse, e pulei na piscina de quase 500 páginas.

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