(Español) Laura Restrepo. “Delirio”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 13-01-2019

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Uma razão para viver: O carinho criativo.

Arquivado em (Filmes) por Pablo González Blasco em 06-01-2019

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(Breathe) Diretor: Andy Serkis. Andrew Garfield, Claire Foy, Ed Speleers, Miranda Raison, Hugh Bonneville, Dean-Charles Chapman, Roger Ashton-Griffiths, James Wilby, Camilla Rutherford. UK. 2017. 117 min.

Pode ser um preconceito, talvez experiência, ou muitas horas de voo; mas confesso que é algo do qual dificilmente consigo prescindir: bastam os primeiros dez minutos de um filme para saber se vale a pena investir o resto de tempo assistindo, ou melhor mudar de opção. Este é claramente um dos filmes de diagnóstico válido em dez minutos, ou talvez menos. Embora -tudo deve ser dito- quando sentei para assistir a fita logo percebi que é preciso despojar-se de um viés, em forma de lembranças cinematográficas. É necessário convencer-se de que o protagonista, Andrew Garfield, não é o soldado objetor de consciência de Até o Último Homem. E, mais difícil ainda, abrir mão da Rainha Elizabeth II em   The Crown, quando Claire Foy aparece enchendo a tela. A dupla toma conta do celuloide e deixam o resto dos atores em posição de coadjuvantes: não apenas pela história, que é um fabuloso mano-a-mano de ambos, mas pela presença contundente. Expressividade, medida precisa, uma naturalidade tão enorme como convincente; enfim, um filme de envergadura.

O argumento se atém a uma história real, como também acontecia nas produções citadas, de cujos fantasmas -enormes!- temos de nos livrar para prestar atenção ao que aqui se relata. Longe da II Guerra Mundial, e dos protocolos de Buckingham, desenha-se a história de Robin Cavendish: um aristocrata britânico que casa com uma encantadora Diana Blacker. Viajam para África, Diana engravida, e Robin sofre um surto de poliomielite que o paralisa, impedindo-o de respirar espontaneamente. Ele quer morrer, não ser uma carga para a família. Mas o amor é criativo, e aqui está o nervo do filme, uma história de amor e superação.

A história se arrasta por quase quatro décadas, entre respiradores convencionais de hospitais, inovações domésticas, e inventos originais que permitem autonomia para um ser humano que tem de viver atrelado a uma máquina. Seria uma avançada notável do que hoje chamaríamos home care e cuidados de pacientes crônicos, sem a sofisticação dos dias atuais, mas com a dedicação exemplar da família, quer dizer, da esposa que surge como um monumento no meio desta belíssima história. Não apenas de dedicação de tempo e de cuidados de saúde mas de um manancial de continuo bom humor, apoio à iniciativa, e vontade de viver. Diana é, mais que nada, a verdadeira razão para viver, o respirador da alma de Robin que adoeceu com 28 anos, e vem falecer com 64. Leia o restante deste artigo »

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Paulo Rezzutti: “D. Leopoldina”. A História não contada. A Mulher que arquitetou a Independência do Brasil”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 30-12-2018

Paulo Rezzutti: “D. Leopoldina”. A História não contada. A Mulher que arquitetou a Independência do Brasil”. Ed Casa da Palavra. LeYa. RJ. 2017. 430 págs.

Minha admiração pela Imperatriz Leopoldina despertou quando li O Império é você, vencedor do Prêmio Planeta na Espanha em 2011. Agora, a presente leitura, confirma minhas percepções dessa figura ímpar da história brasileira,  agigantando-a consideravelmente. Trata-se de uma excelente investigação histórica, com referências continuas às cartas da Imperatriz, além de muitas outras fontes. Um trabalho sério e de leitura agradável, sem rebuscamentos acadêmicos, claro para o grande público, pois esse parece ser o objetivo do autor que, desconfio, também se junta a mim no fã-clube de Leopoldina.

Uma narrativa que expõe a trajetória da princesa austríaca, e das suas origens nos situam no contexto de quem era esta jovem mulher que deixa sua estirpe aristocrática europeia para unir-se aos destinos da que viria a ser uma futura nação americana. Casar-se com uma princesa da casa de Áustria, uma Habsburgo, não era para qualquer um: afinal, tê-la como esposa era como possuir um artigo de luxo: uma mulher com instrução suficiente para ser uma estadista. A educação fazia delas o que havia de melhor, que um príncipe poderia ter do lado na hora de governar. Como disse o pai de Leopoldina: “herdar um trono não se trata de uma propriedade como outrora, mas é preciso reinar, tanto quanto possível, de acordo com os desejos dos seus súditos”.

Ser uma arquiduquesa austríaca requeria, além de ser bem educada, ter sangue frio acima de qualquer limite tido como normal. Valha o exemplo da irmã de Leopoldina, Maria Luisa, dada em casamento a Napoleão que tinha se separado de Josefina. Bonaparte, com essa aliança, em vez de tornar-se senhor do novo mundo representado pela Revolução Francesa, acabou tornando-se genro do velho. Leopoldina conheceu Goethe, com quem alternava, por conta da sua mãe que convidava o escritor e com quem chegou a escrever alguma peça. Foi o caminho para Leopoldina iniciar a imersão no ideal romântico, com sua melancolia e paixões idealizadas. Leia o restante deste artigo »

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Mary Ann Shaffer & Annie Barrows “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 19-12-2018

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Mary Ann Shaffer & Annie Barrows “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”. Rocco. 2009. Rio de Janeiro, 303 pgs.

(The Guernsey Literary and potato peel pie society).

Deparei-me com uma crítica do filme do mesmo título, assisti à fita  e comentei com um amigo, grande leitor. Disse-me: “melhor ler o livro, original, inspirador”. Um par de dias depois entregou-me o livro que desentocou da sua biblioteca. “Penso que pode ser uma boa opção para o teu projeto da tertúlia literária”. Assim começou esta aventura com um romance epistolar -construído à base de cartas, como uma colcha de retalhos- onde as peças desaparecem para surgir, em plenitude, o tecido magnifico. Não é fácil essa originalidade, onde as partes perdem protagonismo para integrar-se num argumento construído com pequenas peças. Como esses mosaicos que encontramos nos templos orientais: uma catequese viva, envolvente na sua unidade, que não deixa perceber as milhares de pequenas pedras que o formam.

Mas aqui, tudo seja dito, o romance não tem nada de oriental: é muito britânico, com sabor de império, e muito feminino. As reflexões de Juliet, a protagonista, e dos interlocutores das diversas cartas, não dão lugar a dúvidas: “Não quero me casar só por casar. Não consigo pensar em solidão maior do que passar o resto da minha vida com alguém com quem não possa conversar ou, pior, com alguém com quem não possa ficar em silêncio (…) Acho que tenho um pretendente, mas ainda não me acostumei direito com ele. É incrivelmente charmoso e me faz a corte com refeições deliciosas, mas às vezes acho que prefiro pretendentes nos livros em vez daqueles de carne e osso. Que coisa horrível, atrasada, covarde e mentalmente deturpada, se for verdade. Os homens são mais interessantes em livros do que na vida real”. Leia o restante deste artigo »

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A Rainha Victoria/ Judi Dench no Cinema: Criatividade além dos protocolos seculares.

Arquivado em (Filmes) por Pablo González Blasco em 09-12-2018

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Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha.

(Victoria & Abdul) Diretor: Stephen Frears. Judi Dench, Ali Fazal, Tim Pigott-Smith 111min. Inglaterra. 2017.

Muito dos atores britânicos vêm de uma longa tradição do teatro, onde gastam seus melhores dons e, magnanimamente, consentem em fazer, vez por outra, algum filme mostrando sua tremenda categoria dramática.  Foram nutridos nos cenários onde é necessário acertar na primeira vez, sem possibilidade de cortar para tentar uma nova filmagem, mais satisfatória. São crias de Shakespeare, ou melhor, das suas personagens; e talvez por isso, conseguem construir e plasmar no celuloide figuras verosímeis, magnificamente perfilhadas, redondas.

Depois de ver Judi Dench incarnar a Rainha Victória em dois filmes separados por vinte anos, é difícil dizer onde acaba Judi e começa Victória, ou até imaginar uma Victória diferente da que nos apresenta a atriz inglesa. Ambos os filmes refletem momentos íntimos da rainha que, denominada avó da Europa -os seus descendentes espalharam-se por vários países e, com eles, o gene da hemofilia que Victória carregava- teve de sofrer em solidão: o isolamento que é, muitas vezes, o tributo necessário que a grandeza deve pagar.

Assisti Victória & Abdul há alguns meses, e o revi novamente na semana passada. Um luxo para os olhos, e para a mente. Judi/Victória enche a tela.  As personagens orbitam à sua volta, como rainha de Inglaterra, Imperatriz da Índia, e grande dama do cinema. Está no final da vida, quando chega Abdul, um indiano de religião muçulmana, recrutado para entregar um presente comemorativo à Rainha. E com Abdul vem um novo despertar de Victória, velha e enfastiada de uma corte repleta de aristocratas invejosos à procura de oportunidades, afogados em protocolos. O indiano se transforma num mentor para a rainha anciã, invocando a sabedoria oriental: “A vida é como um tapete. Os fios se entretecem para nos dar sustentação, para termos onde nos apoiar”. E, mais uma vez, descortina o panorama da missão da rainha que não encontra mais sentido à sua existência. Abdul aponta: “A sua missão é servir. Serviço, isso dá sentido a tudo. Estamos aqui para os outros, não para nós mesmos”.

 

O envolvimento da rainha é tamanho que há movimentos subversivos para interditá-la por incapacidade. Victória responde com classe, categoricamente: “Tenho 81 anos, 9 filhos, 42 netos. Estou no poder  há 62 anos, o que me torna a monarca de maior tempo num governo. Tenho quase um bilhão de súbditos, conheci 11 primeiros ministros,  despachei 2.347 leis, tenho  5 casas reais, e um staff de 3mil pessoas.  Estou com reumatismo, mal humorada, gorda, surda, e velha. Tudo isso sim, mas não estou nem um pouco louca”. Questão fechada.

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Theodore Dalrymple: “Em defesa do preconceito. A necessidade de se ter ideias preconcebidas”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 02-12-2018

Theodore Dalrymple: “Em defesa do preconceito. A necessidade de se ter ideias preconcebidas”. É Realizações. São Paulo. 2015. 141 págs.. 

 

Aventuro-me novamente na leitura pausada de um livro de Dalrymple, sabendo de ante mão o que vou encontrar: a clareza do óbvio, impacto que gera reflexão. Como bem aponta o prefácio (do Reinaldo de Azevedo, o que também não me estranha), é um desses livros “que reorganizam nossa experiência”. Quer dizer, mais do que novidade, trata-se de um olhar perspicaz sobre a realidade que nos rodeia, aquela que passa desapercebida, por desaviso, ou mesmo, por omissão, por não querer pensar.

Vivemos momentos onde qualquer preconceito -ideias importadas que não são de fabricação própria- tornam-se suspeitas. Tempos de ceticismo e de questionamento de toda autoridade. Embora, adverte o escritor inglês, “são poucos os que se mostrarão céticos a ponto e duvidar que o Sol surja amanhã, muito embora eles tenham certa dificuldade na hora de oferecer evidências sólidas que sustentem a teoria heliocêntrica. Os mesmos que acreditam que, ao apertar a tomada, a luz se acenderá, mesmo que lhes falte qualquer conhecimento sobre a teoria da eletricidade. Todavia, um feroz e insaciável espírito investigativo os domina por completo no exato momento em que percebem que os seus interesses estão em jogo”. Quer dizer, um preconceito seletivo porque é notório que “o amor pela verdade, embora exista, é geralmente mais fraco que o amor pelo poder”.

São muitos os que pensam que a qualidade mais importante de um ato ou de uma opinião não se associa a sua correção, ou ao esforço para se atingir a verdade, mas simplesmente em ter uma opinião própria. Essa seria a grande qualidade. Aquilo de “a minha opinião é tão valida quanto à sua”, como se tudo fosse questão de opinião (vale a pena consultar a provocadora obra de Hannah Arendt, Verdade e Mentira em Política). Daí o famoso “tudo é válido. Ou pior, é autêntico, quer dizer o que conta é a transparência, mesmo que esse despudor revele uma ignorância supina. Há que livrar-se da opinião herdada, como se fosse inimiga da humanidade”. Leia o restante deste artigo »

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Luís Henrique Pellanda: “Detetive à Deriva”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 25-11-2018

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Luís Henrique Pellanda: “Detetive à Deriva”. Arquipélago Editorial. Porto Alegre. 2016. 223 págs..

 

Sempre é um desafio ensaiar um resumo de um livro de crônicas. Falta o fio condutor, o argumento sobre o qual podemos ir tecendo nossas filigranas reflexivas. Talvez por isso resisto aos livros de crônicas, não lido bem com colcha de retalhos. Mas algumas vezes, como neste caso, tropeço com uma linha que costura todas minhas considerações…..É sutil, delicada, mas forte; como a que agarra o peixe sem esperanças de fugir. Não consegui me livrar de uma leitura serena -pausada, em cômodas prestações, tudo seja dito- destes contos do detetive curitibano.  Uma linha estética, o estilo, desenhado num português familiar, intimista, e ao mesmo tempo, elegante. Lembrou-me Drummond, autor que frequento vez por outra, quando sinto necessidade de renovar meu vocabulário e polir o estilo na escrita. Aprendi isso faz muitos anos com um amigo, escritor, poeta, magnifico conferencista, que em certa ocasião, durante uma viagem, me disse: “Observei que andas carregando um livro de Drummond. Podes me emprestar? Estou escrevendo e preciso de vocabulário”

A escrita  de Pellanda é o que te agarra, te leva da mão nos passeios urbanos, e no final deixar um ótimo sabor no paladar. Quando se lê,  parece fácil,  esse modo de escrever, de dizer; é até lógico, evidente. Pavarotti dizia que a partitura de La Boheme é sempre a mesma…depende de quem a canta…..A língua na sua exuberância e simplicidade, o léxico do vocabulário está ai para quem quiser -e puder- tocar e harmonizar.

O detetive à deriva transita por ruas e parques da capital paranaense. Ama Curitiba, e canta aquele território próximo à Praça Tiradentes “como um jardim de ingenuidades”. E tropeça com personagens -reais ou fictícios- que descreve com singela elegância, e eles se apresentam diante de nós com realismo impactante: “elementar, meu caro Watson”, é a função do detetive que revela a evidência. Lá aparece o sujeito “apenas de camisa, desobrigado da cerimônia”, e o velho que carrega a menina: “me garantiram que foi alguém um dia, e não somente este carregador de anjos sonolentos…..ainda precisava transportar os seus bens mais preciosos, o capital da sua alma, suas últimas esperanças. Percebi que, às vezes, o que nos define, mais do que nós mesmos, é a carga que nos coube”. Leia o restante deste artigo »

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O insulto : O itinerário quotidiano para o Perdão

Arquivado em (Filmes) por Pablo González Blasco em 18-11-2018

(L’insulte). Diretor: Ziad Doueiri. Guion: Ziad Doueiri, Joelle Touma. Intérpretes: Kamel El Basha, Christine Choueiri, Adel Karam, Camille Salameh. 110 min.

Recomendou-me o filme um grande amigo médico, que iniciou os estudos de medicina na Europa, creio recordar que na Romênia, e acabou o curso no seu pais, Líbano, em momentos conturbados. Medicina aprendida na trincheira, no sentido estrito da expressão. No fogo cruzado de uma guerra fraticida -como todas as guerras civis- onde sempre aparecem os que “vem dar uma mão de um lado e do outro”, a acabam complicando as coisas porque não entendem as profundas raízes do ódio…..nem, muito menos,  o caminho do perdão. Porque existe o perdão, quando há grandeza de coração e visão ampla, na tentativa de compreender o outro.

Lembro por exemplo que, muitos anos depois, assisti com esse amigo a um jantar onde alguns colegas -originários ou descendentes de Libaneses- estavam lançando o projeto “Hakim”. Explicaram-me ser essa a denominação de médico -e também de sábio- nos países do oriente médio. Um dos que conduzia a reunião, aproximou-se do meu amigo, deu-lhe um abraço, sendo correspondido com igual afeto. “Bom rapaz -me disse, quando depois sentou-se do meu lado-. Nos levamos muito bem aqui no Brasil. Os militantes que mataram meu pai na guerra do Líbano eram da fação dele”. Passaram-se muitos anos, mas a imagem do sorriso do meu amigo -franco, aberto, sem um pingo de ódio ou rancor- permanece viva na minha memória”. E reviveu com luz nova ao tempo que desfilavam os fotogramas do filme que nos ocupa.

Um incidente, aparentemente sem grande importância, entre um libanês e um palestino que trabalha na construção civil. Essa é a largada do filme, um detalhe, um equívoco, um insulto, e toneladas de ódio acumulado. De um lado e do outro. Pessoas boas -os dois- com famílias para sustentar, a vida para ganhar com o trabalho, e uma mágoa engasgada que vai crescendo como bola de neve, como as neves das montanhas do Líbano.

O filme, em si, desenha uma situação que em visão rápida e superficial, pode parecer exagerada. Tamanha confusão, por um simples detalhe, por uma exclamação pouco elegante? O assunto se encerraria por ai….mas algo entra em ressonância com o nosso interior. A memória encarrega-se de lembrar-nos os detalhes -ridículos para um observador externo- que se agigantam até alturas incríveis, como os cedros do Líbano, alimentados pelo orgulho, um nutriente eficaz do ódio. De fato, as diferenças -de opinião, de perspectiva- são café pequeno, mas funcionam como uma cunha que permite o gotejamento da soberba, e daí sim, o desentendimento assume proporções gigantescas, e se arrasta por gerações. Seria , em teoria, fácil desmontá-lo, mas lá vem ninguém menos do que Nietzsche para explicar a fisiologia do fenômeno, quando anota: “Fiz isto, diz a minha memória. Não, eu nunca pude ter feito isto, diz o meu orgulho, e permanece inflexível. Finalmente, é a memória a que acaba cedendo.” Assustador, tremendo, mas real. E de uma fonte nada suspeita. Leia o restante deste artigo »

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Alexandre Dianine-Havard “Perfil del líder”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 11-11-2018

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Alexandre Dianine-Havard “Perfil del líder”. Palabra. Madrid (2010). 204 págs.

O subtítulo do livro dá uma pista de que tipo de liderança se pretende falar: “em busca de uma liderança virtuosa”. E com este prelúdio, e fácil adentrar-se na leitura deste livro simples porem denso, onde os recados vão gotejando pouco a pouco, solicitando do leitor pausa para meditação. Mais do que uma teoria sobre a liderança -aliás, sobram teorias acerca do tema, que virou bola da vez- este livro seria um roteiro singelo para um exame de consciência -uma reflexão sincera- daqueles que a vida colocou em posição de liderar outros, e levantar bandeiras.

 A virtude necessária de quem está no comando é o leitmotiv, o fio condutor, de todo o livro. Uma evocação de Peter Drucker, reconhecido guru no tema de gestão, dá a largada : “A liderança se exercita através do caráter”. E o autor tira as consequências: “Reforçamos nosso caráter mediante a prática de hábitos morais, denominados virtudes éticas ou virtudes humanas. Desse modo o caráter marca o nosso temperamento que deixa de dominar nossa personalidade (…) Magnanimidade e humidade são virtudes inseparáveis na liderança. A magnanimidade é a origem das ambições nobres, a humildade canaliza essas ambições para o serviço aos outros”.

Virtude, por tanto, condição sine qua non, de quem pretende liderar. Virtude que não é um esforço titânico pela perfeição, mas um hábito que se incorpora no modo de ser, que facilita a ação, e que conta com os afetos e emoções. “Para praticar a virtude é preciso exercer a vontade, mas também enobrecer o coração. Os valores tem de penetrar o mais profundo do coração”. Leia o restante deste artigo »

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(Español) Leonardo Padura. “Herejes”.

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 28-10-2018

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