A minha simpatia por Alfred Hitchcock: Reflexões sobre o mago do suspense

Arquivado em (Colaboradores) por Pablo González Blasco em 28-04-2011

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Por Pedro Acosta Baldin

Comecei a gostar do Hitchcock quando eu tinha uns 10 anos, foi minha primeira vez que soube que existia. Meu pai alugou um filme dele para a gente assistir, eu me apaixonei tanto pelo seu jeito de fazer filmes, pelo seu modo de envolvimento do seu público, gostei muito do seu suspense e da raiva que me deixou quando eu não descobri se o mocinho era mau ou não em Suspeita. Logo pensei: quero saber um pouco mais de sua vida e de seus outros filmes, e comecei a fazer um TCC sobre ele. Aqui vai um resumo do meu trabalho.

Alfred Hitchcock foi um cineasta anglo-americano, considerado o mestre dos filmes de suspense, sendo um dos mais conhecidos e populares realizadores de todos os tempos. O suspense de Hitchcock distinguia-se do elemento surpresa mais característico do cinema, o horror. O suspense é acentuado pelo uso de música forte e dos efeitos de luz. Nos filmes de Hitchcock, a ansiedade aumenta pouco a pouco enquanto, o personagem não sabe do perigo que ira passar ao longo do filme. São apresentados dados para o telespectador que o personagem do filme não sabe, ocasionando uma tensão no espectador em saber o que acontecerá quando o personagem venha a descobrir. Por exemplo, em Psicose, somente o espectador ver a porta se entreabrir, esperando algo acontecer enquanto o detetive sobe a escada. Esse tipo de cena é comum em vários filmes de Hitchcock.

Hitchcock estudou em um colégio católico onde foi altamente exigido, e sua formação cristã ajudou na sua vida profissional e na sua formação humana. Quando era criança seu pai o levara a delegacia para ser preso por 10 minutos por mau comportamento em casa, e em seus filmes Hitchcock abordou a idéia da pessoa falsamente acusada. A forma que sua mãe o castigava, influenciou sua vida e seus filmes, como na construção de Norman Baste de Psicose, e outros gêneros masculinos que influenciaram na figura maternal.

As experiências de sua infância em seus vários aspectos eram utilizadas na criação dos personagens e nos temas dos filmes de maneira que as maneiras de comportamento dos personagens, eram tão realistas e fortes, que os espectadores reagiam a ele. O medo e a expectativa de punição surgem em forma de suspense. O seu suspense também é marcante por sua educação religiosa, católica e sua rígida moral. Hitchcock, alem de conviver com o terror em seu filmes ele tinha medo de “polícia” Mas a impressão que ele nos passa, em filmes em que surge a autoridade ou a polícia, é que esta é caracterizada pela incompetência sendo incapaz de resolver os problemas, que ficam a cargo dos implicados inocentemente, os falsos culpados, que, também, buscam safar-se.

Casou-se em 1926 com Alma Reville, que era assistente de diretor e trabalhava com ele na Paramount. O casal teve uma filha em 1928, Patrícia Hitchcock, que teve participação no cinema, numa carreira lançada pelo pai, chegando a ter pequenos papéis em alguns filmes de Hitchcock como “Pavor nos Bastidores”, “Pacto Sinistro” e “Psicose”, além de vários episódios de mistério e suspense da série de TV “Alfred Hitchcocks Presents”, entre 1955 e 1960. Foi um casamento duradouro, 54 anos. Em 1980, Alfred Hitchcock recebeu a KBE da Ordem do Império Britânico, das mãos da Rainha Elizabeth II. Morreria quatro meses depois, de insuficiência renal, em sua casa em Los Angeles.

Em seus filmes usou varias técnicas como Voyeur, Cameo e Macguffin. A técnica conhecida como Cameo , consistia em fazer aparecer uma pessoa famosa no filme. Na verdade, nos filmes de Hitchcock, quem aparecia era ele próprio. Era visto em aparições rápidas e breves, para assim não distrair o publico do enredo principal. Suas aparições seriam suas assinaturas de suas obras, que marca e registra sua presença. Ele dizia que suas aparições eram: “Para encher a tela por falta de atores”.

As personagens femininas geralmente em seus filmes são heroínas loiras e amáveis, que quando se apaixonam se tornam perigosas. A figura da mãe mostrada em diversos filmes geralmente mostra uma relação complicada com seus filhos, ele demonstrava essas cenas pelo fato de sua infância paternal tenha sido complicada. Os personagens masculinos são geralmente homens com relacionamentos conflituosos com suas mães.

Um tema recorrente explorado por Hitchcock foi a confusão de identidade. Em Intriga internacional o Roger Thornhill ( interpretado por Cary Grant) é confundido com George Kaplan, um agente da CIA. Em alguns filmes Hitchcock incluía objetos recorrentes, os personagens bebiam muito Brandy, e também adorava o número sete, sempre que podia ele incluía em seus filmes. E a inclusão de escadas era muito importante para alguns de seus filmes.

Hitchcock fazia terror com objetos simples. Em Strangers on A Train, por exemplo, o isqueiro esquecido; em Rope um pedaço de corda; em Frenzy uma simples gravata que se torna uma arma e em Stage Fright uma boneca e um vestido com importância vital na trama.

O diretor começou sua carreira norte-americana com o filme Rebecca – a mulher inesquecível (1940). Este filme foi o único trabalho do diretor a receber o Oscar de melhor filme, mais perdeu o Oscar de melhor direção. Em Rebecca, ele já demonstra seus toques de genialidade como, por exemplo, em uma das cenas do filme Rebeca: ao decidir nunca filmar Mrs. Danvers andando, porque isso a tornaria “mais humana”. A governanta que importuna a vida da nova esposa de seu patrão aparece sempre parada, para dar a impressão que flutuava.

Na seqüência, dirigiu Suspeita, esta é a primeira obra feita como produtor. Joan Fontaine, em grande atuação como a mulher que começa a desconfiar que o marido- Cary Grant- quer matá-la. Hitchcock declara que tem prazer em deixar a platéia na curiosidade. Aqui, em mais uma jogada de mestre, uma cena vai ficar na história: o personagem de Grant subindo as escadas com um brilhante copo de leite, que pode ou não estar envenenado. O copo brilhava porque Hitchcock colocou uma lâmpada dentro dele!

Em 1948, dirigiu Festim Diabólico, uma de suas obras mais ousadas. A história é contada em uma sala apenas, onde dois estudantes mataram o terceiro e colocam seu corpo em um baú. O diretor quis filmar tudo num plano sequência único. Como a película da câmera cinematográfica só poderia filmar dez minutos, decidiu fazer oito planos-seqüências com esta duração. Festim Diabólico foi também a primeiro papel do ator James Stewart com o diretor.

Psicose (1960) e, talvez, o filme mais conhecido do diretor. Uma mulher rouba US$ 40 mil do se trabalho para recomeçar sua vida. No meio da fuga, resolve hospedar-se no Motel Bates propriedade do estranho Norman, um homem que transmite a idéia de morar com sua mãe e ser comandado por sua mãe. As freqüentes trocas de protagonistas, a cena do chuveiro que em minha opinião é a cena mais conhecida da história do cinema, toda a preocupação com a técnica dos planos, a trilha sonora e outros aspectos fizeram de Psicose um dos filmes mais copiados de todos os tempos e um dos melhores filmes de suspense já vistos.

Psicose oferece ambém uma ótima oportunidade para entender a técnica de macguffin, popularizado pelo diretor. Macguffin é usado para definir um objeto que aparenta ter importância na trama, mas que serve de pretexto para a história avançar, perdendo importância conforme o argumento se desenvolve. No caso de Psicose, é o dinheiro que a personagem rouba do patrão. Num primeiro momento parece que esse roubo será o principal foco do enredo do filme, mas percebe-se que sua importância era conduzir a personagem para o Motel Bates e dar início a uma história na qual o dinheiro não fará parte.

Hitchcock dominava os componentes dos filmes com maestria, embora somente começou a ser considerado um gênio no final de sua carreira, nos anos 60. Os críticos americanos da época não se interessaram por gêneros de suspense, para eles Hitchcock era um cineasta que só produzia filmes comerciais Essa perspectiva mudou quando Hitchcock começou a fazer entrevistas com François Truffaut, (cineasta francês e crítico do Cahiers du Cinema), que foram publicadas no livro Hitchcock-Truffaut. Nele, o inglês conseguiu expor toda a sua genialidade e pioneirismo. Valha esta afirmação do mestre Hitchcock para entender seu amor pelo cinema:

“Quando se conta uma história no cinema não se deveria recorrer ao “diálogo”, a não ser quando é impossível fazer de outro modo. Sempre me esforço para procurar em primeiro lugar a maneira cinematográfica de contar uma história pela sucessão de planos e dos fragmentos de filme em si.”.

Hitchcock é considerado por muitas pessoas o mestre do suspense, com uma carreira de quase 70 filmes, boa parte dos quais se tornaram clássicos. Os filmes de suspense influenciaram vários diretores: George Romero, Francis Ford Coppola, Dario Argento, Mel Brooks, Brian De Palma e Quentin Tarantino que homenagearam o cineasta em seus filmes.

Recomendo todos os filmes de Hitchcock, por ser um clássico. E, se tiver que destacar alguns, apontaria: Psicose, Janela Indiscreta, Um corpo que cai, O homem que sabia de mais, Ladrão de Casaca, Os pássaros e Trama Macabra.

 

Pedro Acosta Baldin, 15 anos.

Aluno de 1 ano de Ensino Médio.

pedrobaldin_22@hotmail.com

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