Ally Carter: “Ladrões de Elite”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 11-11-2011

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Ally Carter: “Ladrões de Elite” (Heist Society). Arqueiro. São Paulo. 2010. 231 pgs.

Tomei conhecimento deste livro ao me deparar com uma breve crítica sobre a autora, especializada em escrever romances de adolescentes precoces e de garotas espiãs disfarçadas de colegiais de classe social abastada. Não estou na idade de ler estas coisas, mas quis dar uma trégua a leituras de maior densidade, sobretudo porque tinha muitas horas de voo pela frente, numa sequência de compromissos internacionais. O tempo não passa à toa: dormir num avião é já um desafio, o organismo não se adapta aos menus aéreos como outrora, e os espaços vitais da cabina limitam cada vez mais o corpo e a própria mente. A salada de filmes que é servida também não me atrai; deixo-a de lado sistematicamente, apesar do meu lado cinéfilo. Justifica-se, pois, uma folga, ler algo sem compromisso.

Um romance de adolescentes, profissionais do roubo, atividade que praticam por esporte e por tradição familiar. Esporte mesmo, porque nenhum dos personagens tem carência material alguma. Alguns dos protagonistas são milionários, outros viajam de primeira classe, andam de limusine e naturalmente tem mordomos elegantes e multiuso. Impossível não se lembrar dos últimos filmes de Batman, e do seu mordomo inglês. Mas aqui não se combate o crime; pratica-se, embora sempre com grande estilo: a especialidade da gang é roubar obras de arte. Habilidade esta que, por vezes, serve até para colocá-la ao serviço do bem, ou pelo menos, para ajudar os menos bandidos, se é que se permite tal qualificação que escandalizará os estudiosos da ética.

A protagonista, uma garota de 15 anos, é uma mistura de Sherlock Holmes, com Robin Hood, tem traços do famoso Raffles, o bandido das luvas brancas, e atitude de comando do líder de Missão Impossível. Personagem bem elaborado e nota-se a mão feminina da autora nos contrastes que nos apresenta: uma adolescente encabulada que lhe custa assumir que já é mulher, uma perspicácia digna do inspetor Maigret, e uma articulação internacional que daria inveja ao secretário geral da ONU.

Talvez tudo seja um sonho e como disse no início, a idade para ler este romance seja outra, não a minha. E confesso que o que me atraiu enormemente foi a capa, muito feliz, onde Kat Bishop, nossa adolescente gênio, está fantasiada de “Bonequinha de Luxo”: aquela encantadora Audrey Hepburn , que sonhava com os diamantes de Tiffany’s, ao som inesquecível de Moon River.

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