Joseph Ratzinger (Bento XVI): Lembranças da Minha Vida

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 20-01-2012

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Joseph Ratzinger (Bento XVI): Lembranças da Minha Vida. Ed. Paulinas. São Paulo. 2006. 150 pgs.

Eis um livro pequeno, curto, objetivo, necessário. Não substitui as biografias do Professor Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, muitas delas excepcionais.

Também não um livro de memórias. Como muito bem o titulo indica, trata-se apenas de lembranças de um período da vida de Joseph Ratzinger: os primeiros 50 anos (1927-1977), até ser nomeado Arcebispo de Munique.

Relatadas com simplicidade e com a precisão de um professor, acompanhamos a trajetória do jovem bávaro desde a infância. Os primeiros estudos, as mudanças de domicilio por conta da profissão do pai, comissário de polícia e bom católico, opositor decidido à ameaça Nazista num terceiro Reich em ascensão. Seguem-se os anos do seminário, interrompidos pela guerra: a convocação forçada ainda adolescente para as tropas germânicas, e a recusa ao alistamento nas SS por manifestar o desejo de tornar-se sacerdote católico. À ordenação sacerdotal em 1951 segue-se uma curta atividade pastoral, pois desde os primeiros momentos Ratzinger mostrou seu dom para a investigação teológica e para a docência. Em 1953, completado o Doutorado, inicia a livre docência em Frisinga, e a trajetória docente em importantes universidades alemãs: Bonn, Munster, Tubinga, Ratisbona, assim como a sua participação no Concílio Vaticano II, como consultor do Cardeal Frings de Colonia. Tinha Ratzinger nessa época 37 anos e se apresentava como um teólogo inovador e quase revolucionário.

O jovem professor tinha já muito estudado a Santo Agostinho, e certamente é hoje o maior conhecedor do seu pensamento. Estudado e incorporado: nas páginas finais, ao relatar sua nomeação como Arcebispo de Munique, hesita pensando que sua vocação não é pastoral, mas docente. Lembra-se então, que o Bispo de Hipona também queria dedicar-se à investigação teológica, mas a vida lhe empurrava para o serviço como pastor. Esta imagem –fazer de Santo Agostinho um alter ego- a encontramos também nas recentes encíclicas de Bento XVI: gostariam –ambos- de dedicar-se à docência, e escrever livros de teologia, sem envolver-se diretamente nas tarefas pastorais. A vida é um paradoxo, e Deus não desaproveita os talentos: não devem ser muitos os que possam se igualar em produção cientifica e literária com Agostinho de Hipona e com o Professor Ratzinger.

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