Maria Winowska: “Maximiliano Kolbe”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 03-12-2013

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Maria Winowska: “Maximiliano Kolbe”. Edições Paulinas. São Paulo. 1983. 190 pgs

     Não quero deixar de registrar a rápida leitura deste livro, num bate e volta de avião, por conta de umas conferências. Mala de mão pronta, um par de noites fora de casa. Olhei para a prateleira da sala e o livro piscou para mim. É este mesmo, pensei. Estava cansado; tive de preparar 8 ou 9 apresentações no mesmo mês. Vamos dar uma olhada na vida de Maximiliano Kolbe. Além do mais tinha uma dívida: quando anos atrás estive na Catedral de Cracóvia vi um quadro dele….vestido de presidiário. A única vez que vi um santo representado em vestes tão peculiares, alias, a rigor: pijama listrado, como manda o figurino.

     Sabia que tinha morrido no campo de concentração ao oferecer-se em troca por um pai de família que estava escalado na lista dos que morreriam no bunker da fome. Mas o que descobri com a leitura do livro foi o complemento necessário, que já suspeitava: a decisão heroica de Maximiliano, não foi um espasmo de caridade improvisado. Vinha construindo essa atitude de longe, do começo da sua vida, quando lhe foi comunicado por uma visão celestial, que participaria de uma atividade evangelizadora enorme, e também do martírio.

     Fiel à missão da qual se sabia portador, desenvolveu uma intensíssima atividade de apostolado na imprensa, através das publicações que os Cavaleiros de Imaculada –por ele fundada- divulgaram pelo mundo: começando na Polônia e chegando até o Japão e a Índia. E tudo construído com sacrifício, serviço, bom humor, dedicação sem medida. O martírio foi uma consequência de uma vida em sintonia com sua missão.

     Já de volta, quando devolvia o livro à estante da sala, pensei que a dívida estava saldada…em parte. Agora sim, estava informado da vida do santo em pijama listrado que figura no quadro de Cracóvia. Mas ocorreu-me pensar que aquelas listras de presidiário eram como a somatória dos atos diários que Maximiliano realizou no seu dia a dia. O fatorial, construído no quotidiano e costurado pelo martírio, de uma santidade alegre e diária. Esse desafio –o seu exemplo- está ainda por amortizar.

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