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Humanizando a Medicina: Uma Metodologia com o Cinema

Vivemos tempos presididos por uma medicina altamente técnica e especializada, onde a pessoa do paciente – verdadeiro protagonista do processo saúde/doença – corre o risco de ser esquecida. Perante uma atenção à saúde cada vez mais despersonalizada, a Humanização da Medicina é um desafio necessário para os Educadores na Academia, e para os Gestores dos Sistemas de Saúde.
Humanizar a Medicina é reinserir a ciência médica nas suas verdadeiras origens. É preciso recuperar a perspectiva humanística da medicina, pois o humanismo é inato à profissão médica. Um médico sem humanismo não será propriamente médico; na melhor das hipóteses, trabalhará como um "mecânico de pessoas".
As artes e as humanidades, que são um elemento clássico na formação humanística do médico, estão na presente obra representadas pelo Cinema. Educar as atitudes implica mais do que oferecer conceitos teóricos ou treinar habilidades: requer promover a reflexão, que é o verdadeiro núcleo do processo de humanização. Através da reflexão, o profissional de saúde consegue extrair do seu interior o desejo de um compromisso vocacional perdurável. O Cinema, que sintoniza com o universo do estudante onde impera uma cultura da emoção e da imagem, tem se mostrado uma metodologia eficaz neste desafio pedagógico.
Não é difícil entender por que nos dias de hoje a medicina tem de ser forçosamente humana se quer pautar-se pela qualidade e pela excelência. Humanizar a Medicina é, além de uma obrigação educacional, uma condição de sucesso para o profissional de saúde. A Metodologia com o Cinema brinda uma colaboração substancial neste empenho.
Educação da afetividade através do cinema

O universo da afetividade – sentimentos, emoções e paixões – vem assumindo um papel de protagonista no mundo da educação. As emoções do aluno não podem ser ignoradas neste processo e cabe ao educador contemplá-las e utilizá-las como verdadeira porta de entrada para compreender o universo do estudante. Formar o ser humano requer educar a sua afetividade, trabalhar com as emoções. Como fazer isto de modo ágil, moderno, compreensível, eficaz? O cinema mostra-se útil na educação afetiva, por sintonizar com o universo das pessoas onde impera uma cultura da emoção e da imagem. Educar as atitudes, supõe mais do que oferecer conceitos teóricos ou simples treinos; implica promover a reflexão – verdadeiro núcleo de processo humanizante – que facilita a descoberta de si mesmo, e permite extrair do íntimo de cada um o compromisso de melhorar. Professores, estudantes, líderes empresariais, educadores familiares, agentes sociais,recursos humanos, e todos os que têm a gestão de pessoas como objetivo profissional, encontrarão neste livro uma metodologia simples, acessível e divertida para aperfeiçoar seu desempenho. Onde há pessoas querendo melhorar e alguém querendo educar o cinema tem vez.
Medicina de Família e Cinema: Recursos Humanísticos na Educação Médica
A Medicina de Família, entendida como disciplina acadêmica, possuidora de um corpo próprio de conhecimento e metodologia elaborada que fundamenta o seu sistema, se apresenta como um recurso de peculiar utilidade na educação médica e como um possível caminho no resgate da humanização da Medicina. A Medicina de Família apoia-se em quatro colunas que são o fundamento da sua atuação acadêmica. Primeiramente a abordagem do paciente e não apenas da doença –uma medicina centrada na paciente- como centro dos seus estudos, que a capacita para desenvolver a atenção primária à saúde. Em segundo lugar, a preocupação contínua com o processo de educação médica que faz do Médico de Família um educador. O caráter humanista do médico de família, em terceiro lugar, que procura nas ciências humanas contínuos recursos para formar-se e melhor se conhecer, ao tempo que melhora o conhecimento do seu objeto principal de estudo: o ser humano. Finalmente, a formação de lideranças, entendendo-se como tal o médico que incorpora a reflexão sobre a sua prática médica, podendo assim construir-se como profissional consciente, colaborar na educação continuada de outros, e ser formador de opinião e o interlocutor adequado do paciente que procura ajuda. A pessoa é, pois, o centro da Medicina de Família, e a Antropologia a ciência base da sua atuação.
Neste contexto antropológico de atuação médica, recorrer às artes e humanidades como meios na formação do médico encontram o seu lugar próprio. O Cinema mostra-se particularmente útil na educação afetiva do estudante de medicina, por sintonizar com o universo do estudante onde impera uma cultura da emoção e da imagem. Educar as atitudes, supõe mais do que oferecer conceitos teóricos ou mesmo simples treino; implica promover a reflexão –verdadeiro núcleo de processo humanizante- que facilite ao estudante a descoberta de si mesmo, e permita extrair do seu interior o desejo de um compromisso vocacional perdurável.
Medicina de Família & Cinema oferece alguns exemplos metodológicos que se mostraram úteis para provocar estas reflexões. Não pretende esgotar o tema nem constituir-se num livro de metodologia, mas oferecer uma ocasião de reflexão para estudantes e professores de Medicina sobre o processo –apaixonante desafio- que é capaz de construir um Médico Humano que protagonize o resgate do humanismo médico, a re-humanização da Medicina.
O Médico de Família, hoje
Os tempos em que vivemos são presididos por uma medicina altamente técnica, institucional e especializada. Paradoxalmente a relação médico-paciente encontra-se deteriorada e se caminha para à despersonalização da uma medicina que parece não satisfazer o paciente.
Quando se contempla a situação do ponto de vista do paciente, que é quem pretendemos servir com nossa ciência médica, salta à vista a necessidade desse elemento integrador, que organize a desordem provocada pela doença. Um referencial de confiança, ponto de apoio para guiar o paciente, com sentido profissional, na sua condição de enfermo. É necessário que o médico consulte e estude o paciente como um todo, em unidade, numa abordagem geral e completa. O paciente sabe, então, que alguém cuida dele, que há um responsável pelo seu estado cuja meta é procurar os melhores recursos para atendê-lo.
Neste contexto, como um direito que o paciente reclama, surge o que gostamos de denominar “medicina de família”. A figura do médico de família traz benefícios substanciais ao paciente. O primeiro, e mais importante, é ter um profissional como médico de referência para os problemas diários de saúde. Um médico que é técnico, e ao mesmo tempo humano, depositário da confiança do enfermo.
É preciso recuperar a perspectiva humanística da medicina pois o humanismo é inato à profissão médica. Um médico sem humanismo não será propriamente médico; na melhor das hipóteses, trabalhará como um “mecânico de pessoas”.
Não são estas considerações restritas ao clínico, mas a todos os médicos, sobretudo aos que se encontram em período acadêmico de formação. A medicina de família é, no nosso entender, um estilo de praticar a medicina. Se queremos, trata-se do estilo de sempre, aquele que nunca deveríamos ter perdido e que nos governa e orienta para, no meio do progresso, não perder o objetivo e razão da nossa profissão: o cuidado do paciente.
Princípios da Medicina de Família
Medicina de Família é a medicina centrada no paciente, na pessoa, não na doença. O paciente procura o médico de família não apenas por padecer esta ou aquela enfermidade -que poderia ser muito bem tratada pelo especialista correspondente- mas porque o médico de família é o seu médico. Não é o médico que cuida do seu coração, ou do seu fígado, ou da sua depressão, ou da artrose. É o médico que cuida dele, da pessoa. Um profissional de referência, um verdadeiro vade-mecum que se consulta como livro de cabeceira. Médico de cabeceira é o nome do antigo médico de família, e a base do relacionamento com seus pacientes é, justamente, o próprio relacionamento e não sofrer desta ou aquela doença. Assim, o paciente pode e deve procurar o médico de família por qualquer motivo de saúde e o médico fará bem em perguntar-se quando se dispõe a atender um paciente: “O que vai entrar por essa porta?”. De fato, pode entrar de tudo, e isso torna a Medicina de Família uma prática apaixonante.
Mesmo rodeada desse espírito de aventura e simplicidade com sabor clássico, a Medicina de Família é hoje muito mais do que um estilo ou um carisma restrito a alguns profissionais médicos. É uma Especialidade reconhecida, uma Disciplina Acadêmica que possui um corpo próprio de conhecimentos, valores e metodologia que fundamenta o seu sistema e permite transmiti-lo como ciência.
A SOBRAMFA- Sociedade Brasileira de Medicina de Família que desde a sua fundação em 1992 vem promovendo esta ciência no cenário nacional, com particular ênfase no ambiente acadêmico, recolhe na presente obra os conceitos básicos da Medicina de Família ilustrados com as experiências de mais de uma década de trabalho.
Princípios de Medicina de Família sai à luz com o entusiasmo dos autores – diretores da SOBRAMFA – e com o peso sentido da responsabilidade para colaborar na formação do médico de família, que tem um amplo espectro da atuação profissional: no Serviço Público, na Saúde Privada e na Universidade. Um profissional que, competente e bem formado, tem de ser nestes momentos históricos protagonista da melhora no atendimento à saúde que o Brasil merece.