Friedrich Durrenmatt: “A Visita da Velha Senhora”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 08-03-2018

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Friedrich Durrenmatt: “A Visita da Velha Senhora”. Abril Cultural. São Paulo 1976. 180 pgs.

 Uma obra clássica de teatro preside este mês nossa tertúlia literária. O dilema ético, elegantemente colocado pelo autor Suíço, cujo argumento é amplamente conhecido e discutido. A velha senhora é  Claire Zachanassian, uma dama milionária que regressa à sua cidade de origem, Gullen. Foi de lá que saiu quando jovem, grávida e expatriada, após um juízo onde uma suposta moralidade pública decidiu limpar a escória do escândalo. A vida deu suas voltas, a coitada herdou uma imensa fortuna do seu primeiro marido, e volta agora decidida a pôr as contas em limpo. Gullen é uma vila decadente e necessitada, e para a velha dama o dinheiro não é problema. Sim, voltou para ajudar a sua cidade natal, mas com uma condição: quer a cabeça de Alfred, o sujeito que após engravidá-la, abandonou-a à sua sorte, negando a paternidade da criança que Claire estava gestando.

A recepção calorosa e interesseira oferecida pela cidade, comandada pelos elementos de destaque social (prefeito, chefe da polícia, professor, sacerdote e o próprio Alfred) é rapidamente turbada quando Claire coloca suas condições com gélida naturalidade. “O mundo fez de mim uma mulher da vida e eu quero fazer dele um bordel”. O choque escandaliza a população, Claire diz que não tem pressa, e acena com os milhões de recompensa. O dilema ético está montado. Aí arranca a peça teatral, o desenrolar da mesma, e as nossas discussões. Leia o restante deste artigo »

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Daniel Pennac: “Como um Romance”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 23-02-2018

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Daniel Pennac: “Como um Romance”.  Rocco editora. Rio de Janeiro. 1993. 165 pgs.

Um livro fascinante e instigador. Descobrir o prazer de ler; contagiá-lo aos outros, resgatar os que tem medo de ler, e desconhecem seu potencial. De tudo isso nos fala Pennac, o educador francês que foi estudante rebelde e, resgatado por professores, transformou-se num paradigma docente. Mas continua sendo l’ enfant terrible, aproveitando suas origens e usando uma linguagem coloquial para seus propósitos educativos.

Logo no início nos adverte como se formam os anticorpos contra a leitura. Quando, por motivos académicos (o que se deve ler no colégio), ou por prescrição de alguém (familiar, vamos aproveitar o tempo), simplesmente se impõe: “O verbo ler não suporta imperativos. ‘Tem que ler’. Aversão que partilha com alguns outros: amar, sonhar. Me-ame, sonhe, leia, logo!”.

De modo sugestivo, o autor descreve como a criança aprende a ler. Enquanto isso, se encanta escutando histórias que lhe contam, talvez na hora de dormir. Capta as primeiras letras, junta-as, e se transforma “no substituto incansável das grandes epístolas publicitárias…. Renault, Mesbla, Minalba, Minerva……as palavras lhe caem do céu. Marca nenhuma de sabão resiste à sua paixão de decifrar”. Mas isso não quer dizer que esteja pronto para enfrentar a leitura por si só. Quer, ainda, escutar as histórias, mesmo sabendo juntar as palavras. O esforço de ler e relaxar, no começo, ainda é grande.

Esse parece ser mesmo o ponto de inflexão. Quando a criança está ainda taxiando na pista sem decolar, e a insistência dos adultos -dos pedagogos- impõe a leitura. É o momento, diz Pennac, onde “a televisão é elevada à dignidade de recompensa, e a leitura reduzida ao nível de obrigação.”. Passar daí a alergia pela leitura é simplesmente um passo. E se combate a situação de modo equivocado. A leitura assume então um ar de punição: “Nada de TV durante o ano escolar. Vamos ver se assim o garoto lê. Porque tem de ler, não?”. Leia o restante deste artigo »

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Chega de Saudade – “A história e as histórias da Bossa Nova”

Arquivado em (Colaboradores) por Pablo González Blasco em 20-02-2018

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Chega de Saudade

A história e as histórias da Bossa Nova

Por Dr. Marco Aurelio Janaudis

Recentemente minha irmã levou meus sobrinhos para conhecerem uma fábrica de chocolates e sua história, e todos acharam interessante a trajetória do idealizador até onde chegou. Comentei: “parece que quando conhecemos a história até o chocolate fica mais gostoso”! De certa forma nos envolvemos, nos aproximamos da pessoa. De modo semelhante, o mesmo acontece quando conhecemos, por exemplo, uma vinícola. Parece que passamos até a gostar mais daquele vinho!

Mais do que o produto em si, a história das pessoas envolvidas em sua criação e sua elaboração costuma ser apaixonante e nos traz empatia, ensinamentos, aprendizados.

Foi assim com a leitura de “Chega de Saudade, a História e as histórias da Bossa Nova”. Ganhei o livro há mais de dois anos, mas ainda não havia sentido vontade de lê-lo. Mas enfim chegou o momento. A começar pela dedicatória da minha ex-aluna e hoje amiga de profissão, Rosana Irie. Ela escreveu que eu aprenderia “até a gostar mais de João Gilberto”! Pensei, “vai ser difícil”, mas vamos tentar…! rsrsrsrs!!

E a leitura do livro começou a me surpreender basicamente em alguns detalhes, que explicarei:

– pelo empreendedorismo e persistência dos artistas da época

– pelas histórias apaixonantes das pessoas envolvidas com a Bossa Nova

– pela riqueza de detalhes que o autor, Ruy Castro, só conseguiu colocar na obra, por conta de uma gigantesca pesquisa que realizou com outras obras e principalmente com as pessoas envolvidas no movimento. Leia o restante deste artigo »

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(Español) Reyes Calderón.  “Dispara a la Luna”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 20-02-2018

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The Crown: Um aprendizado de atitudes embrulhado em bom gosto.

Arquivado em (Serie) por Pablo González Blasco em 11-02-2018

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The Crown: Um aprendizado de atitudes embrulhado em bom gosto.

Creador: Peter Morgan. Claire FoyMatt SmithVictoria Hamilton, Vanessa Kirby,Pip Torrens, John Lithgow, Jared Harris, Alex Jennings, Eileen Atkins, Harriet Walter, Jeremy Northam, Harry Hadden-Paton.

 

Não sou de assistir séries. Assusta-me o risco de quase assumir um compromisso que envolve tempo, o que nem sempre tenho. Aliás, nunca tenho; a menos que haja uma rotina saudável que te proteja da adição incontrolada. Mas fiz uma exceção nas férias, e encontrei uma rotina. Foram vinte episódios, cobrindo as duas temporadas. Um capítulo por dia; resistindo a avançar no seguinte, aprendendo a ficar com o gostinho de quem quer mais. E degustando cada um deles, digerindo os ensinamentos embutidos em cada episódio, como se de um curso de férias se tratasse.

Fascinou-me, fez-me pensar, e aprendi. Muito. Por isso escrevo estas linhas: um tributo justo, o reconhecimento necessário a um aprendizado com o cinema, em formato de série, que é quase teatro. Enfim, uma homenagem ao aprendizado humanista, através das artes. Porque isto é arte, bom gosto, clareza e, antes de mais nada, reflexão. Um mês após finalizado o meu “curso de férias” as cenas, sobretudo os diálogos, acodem à memória ilustrando as situações que me cercam no quotidiano. Porque humanismo é isso: a luz que as humanidades e as artes trazem para o nosso dia a dia; não é uma fuga, um oásis para escapar por alguns momentos do deserto ou da selva da rotina diária, mas perspectiva luminosa que acende o nosso caminhar humano.

Já o disse, aprendi muito; desde o primeiro momento, em cada um dos episódios. Aprendi a importância de estabelecer as prioridades verdadeiras; quer dizer, o que se espera de cada um de nós, qual é a missão concreta que nos cabe. Logo no início, uma jornada de caça. O rei Jorge VI, já doente e sabendo que lhe resta pouco tempo, conversa com o genro, Philip. “Os títulos, o ducado de Edimburgo, todas essas coisas…. Isso não é teu trabalho…. O teu trabalho é ela! She is the job! Cuida dela, apoia-a, e não te percas com outras coisas. Essa é a tua missão”. Clareza imensa que qualquer um agradeceria para manter o foco no que deve fazer na vida, sem perder-se em quimeras inúteis. Leia o restante deste artigo »

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(Español) Luz Gabás: “Palmeras en la Nieve”.

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Rafael Gómez Perez- “El Secreto del Silencio”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 30-01-2018

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Rafael Gómez Perez. El Secreto del Silencio. Rialp. 2016. 96 pgs.

Um ensaio, ou melhor, um passeio pelos cenários do silêncio, porque não sustenta nenhuma tese concreta; ou talvez porque sustenta muitas, num amplo panorama do que representa o silêncio. Transforma-se num grito -de silencio- um apelo contra o ruído das palavras inúteis ou dos mutismos estéreis. Uma excursão que decantará pelo gosto ao silencio, uma aventura que cada um deve trilhar por sua conta

O autor diz tratar-se de um breviário do silêncio, e logo de cara adverte que o grande inimigo do silêncio é o ruído, não o som. Um ruído que com frequência vem representado pelas redes sócias, onde qualquer um pode dizer o que quer sobre o humano e o divino, amparado na palavra escrita e em condições de possível anonimato. A ignorância tem um caminho amplo para se manifestar. Eis uma importante advertência: estar na internet não é garantia de verdade. São apenas opiniões e como adverte Hannah Arendt numa obra interessantíssima reduzir a verdade à opinião é a melhor estratégia para esvaziá-la.

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(Español) Maria Gudin. “Mar Abierta”

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 26-01-2018

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Stefan Zweig: Adeus Europa. O Encanto da Cultura em Família

Arquivado em (Filmes) por Pablo González Blasco em 13-01-2018

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Stefan Zweig: Farewell to Europe. Diretora: Maria Schrader. Josef Hader, Barbara Sukowa, Aenne Schwarz, Matthias Brandt, Charly Hübner. (2016). 106 min.

O nome do escritor austríaco acompanhou a minha infância e adolescência. Meu avô materno e um tio avô paterno sempre falavam de Stefan Zweig. Nas partidas de Dominó- jogavam muito bem, chateavam-se quando perdiam, e no final quem lucrou fomos as crianças que dominamos as contas das fichas- saia o nome de algumas das suas obras. Lembro de uma que o meu tio sempre comentava: La Piedad Peligrosa, era o nome em espanhol. Devia ser para prevenir-se nas partidas de domino e não dar moleza para as crianças, não ter dor delas, pois o tiro sai pela culatra. O mesmo que acontece ao protagonista do romance, que se engraça -sem chegar a amar- com uma moça deficiente, que acaba fazendo dele gato e sapato.

O título em português (acabo de pesquisar na internet) é Coração Impaciente, mas em inglês se aproxima mais do castelhano: Beware of Pity, quer dizer, cuidado com as falsas piedades. Com essas informações que hoje estão ao alcance de todos, consegui ligar os meus professores do Dominó, com Stefan Zweig e o porque da presença do escritor judeu entre as fichas alvinegras. E reparei -uma vez mais- que de nada adianta ter informações disponíveis, se não temos vivencias que as costurem. Quem não mama a cultura, as informações de internet apenas mascaram uma subnutrição crônica e inútil. Vale lembrar que eu sempre levei muito a sério os comentários do meu avô e do meu tio avô, homens que tinham atravessado a guerra civil espanhola, com perdas e até com passagens pela cadeia. Quer dizer, esses homens que pela dureza da vida, possuem uma especial sabedoria do que é realmente essencial, e o que é perfumaria. Dai que o nome do escritor ressoasse com cerimônia nos meus ouvidos.

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(Español) Agustin Alonso-Gutierrez. A Traición.

Arquivado em (Livros) por Pablo González Blasco em 09-01-2018

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